Caiado promete cancelar venda de área na Plataforma Logística

Governo estadual vende área na Plataforma Logística de Anápolis. Leilão acontece nesta terça, 11/09. Senador Ronaldo Caiado diz que vai acionar a justiça para barrar o negócio.

11/09/2018 - 09:47 hs

O Governo do Estado do Goiás está vendendo, em Anápolis, uma área de quase 2 milhões de metros quadrados que soma 30% da área destinada à Plataforma Logística Multimodal. A área oferecida está situada junto ao Aeroporto de Cargas. O valor do lance inicial no leilão é de R$ 270.587.401,97.

A Associação Comercial e Industrial de Anápolis havia solicitado ao governo estadual que liberasse a área através de concessão, permissão de uso ou de forma condominial. Em vez de atender à solicitação do empresariado, o governo decidiu vender a área.

As empresas se instalam em polos industriais ou logísticos quando atraídas por benefícios fiscais, ou incentivos como a cessão ou permissão de uso dos terrenos. Geralmente as áreas são subsidiadas para que haja o fomento das atividades. Segundo a comunidade empresarial este não é o modelo ideal para a cessão de terrenos.

O negócio pode ser uma mina de ouro para quem adquirir a área no leilão. Segundo o empresário Edson Tavares, consultor na área de logística, o leilão foi concebido num modelo que a comunidade empresarial não esperava e a área a ser leiloada é uma das mais nobres da plataforma logística. "O comprador que arrematar a área no leilão vai pagar R$ 270 milhões e imagine o quanto vai cobrar para ceder ou vender os lotes. Não vamos atrais empresa nenhuma, pois o empresário não vai querer sair de onde está para se instalar em um lugar onde tenha que pagar uma fortuna pelo terreno", disse Tavares.

Ação para fazer caixa

Outra questão preocupante é que o leilão acontece em fim de governo.  E isto tem causado controversas no meio empresarial e político do estado. O senador Ronaldo Caiado pretende acionar a justiça para impedir que o leilão seja efetivado sem a devida análise do projeto e mensuração do benefício real para a região. “A venda é um crime contra a economia do estado e do município, já que foi preparada a toque de caixa, sem uma avaliação detalhada do projeto e apenas com o objetivo de arrecadar recursos” disse o senador do DEM.

Edson Tavares chama atenção para o fato de Ronaldo Caiado liderar com folga a disputa pelo governo e já ter sinalizado que cancelaria a operação caso eleito. Isso geraria um grande imbróglio entre o Estado e o comprador que resultaria em demanda judicial, atrasando ainda mais a consolidação da Plataforma Logística.

A construção da plataforma e do tão almejado Aeroporto de Carga já se arrasta desde 2001. Já foram gastos R$ 340 milhões com as obras do Aeroporto de Cargas e ainda faltam o balizamento da pista principal e construir as pistas de taxiamento, torre operacional, hangares, armazéns, entre outras coisas necessárias para o funcionamento.